História e memória das lutas do ANDES-SN na UFRGS

De 30 de março a 2 de abril estamos realizando atividades da Semana de Memória de Lutas que tem como objetivo demarcar, valorizar e dar visibilidade às lutas históricas do ANDES-SN ao longo de seus 45 anos de existência, reafirmando nosso compromisso com a defesa da democracia, da autonomia universitária, dos direitos trabalhistas e das pautas que historicamente estruturam a atuação do Sindicato Nacional.

A história da Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS (ANDES/UFRGS) tem mais de 16 anos, desde nossa reorganização, em 2009, após o golpe perpetrado pela Adufrgs/Proifes, que usurpou nosso patrimônio e a história de décadas do ANDES-SN na UFRGS.

Nesse breve texto, registramos uma parte muito pequena de nossa história de lutas, sempre realizada com coragem e perseverança no enfrentamento à coalizão formada por Adufrgs-Sindical, governo federal e reitorias, que, de modo constante institui uma cultura de desmobilização da base, priorizando um sindicalismo de representação junto a gabinetes, apartado da luta e com ênfase em ações recreativas.

Dentre tantas lutas travadas desde a reorganização do ANDES/UFRGS, registramos apenas algumas, lembrando que a(o)s docentes da UFRGS só estiveram presentes e/ou representados porque essa Seção Sindical existe, sem ela se teria a omissão e o silêncio tão característicos da Adufrgs/Proifes.

Dentre as principais lutas travadas pela Seção Sindical do ANDES-SN na UFRGS, destacamos: adesão à greve nacional em 2012 (que obrigou a Adufrgs a convocar assembleia de adesão) com assembleias massivas; adesão à greve nacional de 2015, possibilitando que a(o)s docentes que quiseram se somar ao movimento nacional estivessem cobertos localmente, pois a Adufrgs boicotou a greve; realização de greve em 2016, em apoio às ocupações de estudantes e contra a PEC do Teto, que teve boicote da Adufrgs-Sindical; defesa da UFRGS na Câmara Municipal de Porto Alegre, em 2016, revertendo moção de censura encaminhada pelo então vereador Valter Nagelstein, tema que a Adufrgs não abordou; participação na construção da Frente Gaúcha Escola sem Mordaça em 2016, e em 2018 a constituição do Fórum de Combate à Intolerância e ao Discurso de Ódio que lançou, em setembro de 2019, a campanha “Quem grava o professor tira tua liberdade de aprender”; solidariedade ao aquilombamento da reitoria da UFRGS por estudantes cotistas e pelo movimento negro, em 2016 e em 2023; construção do Comitê Lula Livre na Ufrgs em 2018, junto com outras entidades da comunidade universitária, do qual a Adufrgs se recusou a participar; defesa da liberdade de cátedra em outubro de 2018 e durante as eleições de 2020 e 2022; articulação, junto com APG, Assufrgs e DCE, de Assembleia Universitária de mobilização contra o Future-se, rejeitado por unanimidade, em 2019; denúncia da intervenção bolsonarista na UFRGS e luta pela revogação do mandato interventor, com articulação de ações de enfrentamento e de apoio à destituição de 2020 a 2024, inclusive com audiência no MEC; apoio à candidatura de Lula no segundo turno de 2022 deliberada em AG, inclusive com ações junto a outros movimentos sociais nas ruas; mobilização para a greve nacional da educação de 2024, enquanto a Adufrgs fazia mobilização contrária, e sua transformação em ações de solidariedade com as vítimas da catástrofe socioambiental no RS naquele ano; defesa da paridade na UFRGS desde a reorganização da SSind., mobilização e participação na comissão de consulta informal à comunidade em 2024, enquanto a Adufrgs se absteve de realizar o cálculo paritário sendo membro da comissão de consulta informal em 2024; defesa constante da democracia universitária, contra o autoritarismo de reitorias e direções de unidade contra docentes, TAEs e discentes.

Indispensável registrar que ANDES/UFRGS é a entidade legitimamente reconhecida como parceira pelo sindicato dos TAEs na UFRGS (ASSUFRGS) e pela APG, assim como pelo DCE quando esse não se encontra sob coordenações aliadas à reitoria.

Olhar para trás é mais do que entender o acontecido em seu contexto histórico, é pensar o presente incluindo o passado. E pensar a política na UFRGS sem pensar a existência do ANDES-SN, é uma impossibilidade. A presença da Seção Sindical é um contraponto fático ao imobilismo e ao peleguismo, é uma lembrança ruidosa e constante de que há vida organizada para além da subserviência, é uma imagem que se destaca com nossas faixas nas grades e com nossas bandeiras nos movimentos, reiterando que o ANDES/ UFRGS sobreviveu ao golpismo da Adufrgs/Proifes e segue na luta, e assim seguirá. Sim, porque olhar para trás é também acumular forças para construir o futuro.