A garantia de uma educação superior inclusiva e acessível para a comunidade surda segue precária no que se refere ao acesso à Língua de Sinais nos diferentes espaços da Universidade. Especificamente sobre as condições de trabalho de nossa(o)s colegas surda(o)s. O pequeno número de Tradutores e Intérpretes de Libras (TILS) efetiva(o)s não é apenas um problema administrativo, mas uma barreira excludente que impede a participação plena na vida universitária, resultando inclusive na impossibilidade da atuação efetiva em atividades administrativas e colegiadas com impactos na progressão funcional.
A proibição de novos concursos para Tradutores e Intérpretes nas universidades federais está vigente desde os Decretos 9.262/2018 e 10.185/2019. Essas normativas do Governo Federal extinguiram milhares de postos na administração pública federal e vedaram a abertura de novos concursos para diversas categorias, incluindo os profissionais de acessibilidade no ensino superior. Com a impossibilidade de realizar concursos para servidores efetivos, as universidades são forçadas a recorrer a medidas paliativas que geram a precarização do atendimento, como a terceirização via empresas e contratos temporários. Esse tipo de contratação muitas vezes resulta em salários defasados, atrasos nos pagamentos e insegurança trabalhista para a(o)s profissionais, gerando repúdio da comunidade surda e da categoria profissional de tradutores e intérpretes (representada por federações como a Febrapils).
O fato é que na UFRGS, seguimos sem concursos para efetivos dada à vedação legal, com contratação temporária e com menos postos do que a demanda necessita. É fundamental a pressão das comunidades universitárias de todo o país para a reversão dessa precariedade para o trabalho da(o)s colegas surdos e pela reversão dos Decretos que inviabilizam os concursos.