A criação de um novo campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Serra Gaúcha, especificamente em Caxias do Sul, ganhou destaque no debate público e acadêmico. Projeto estratégico no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Educação do governo federal, a iniciativa instou a UFRGS a buscar pautá-lo junto à comunidade universitária para pavimentar sua futura aprovação no Conselho Universitário.
Mas, enquanto a UFRGS dialoga com setores empresariais, governos locais e lideranças políticas para a concretização deste projeto, a Seção do ANDES-Sindicato Nacional (ANDES-SN) na UFRGS alerta que é indispensável a escuta ativa das demandas populares locais, com a realização de audiências públicas abrangentes em toda a região.
Consideramos muito importante e apoiamos a expansão universitária como caminho essencial para ampliar o acesso da população ao ensino superior gratuito, laico e de qualidade, que permita efetivamente impulsionar o avanço das pesquisas e fortalecer a integração entre universidade e sociedade.
Entretanto, para que este processo permita, efetivamente, atender às necessidades e anseios da população, ele precisa respeitar e manter o compromisso férreo com os pilares da universidade pública: ser democrática, inclusiva, autônoma e socialmente referenciada.
A UFRGS tem excelência reconhecida nacionalmente por sua pesquisa de ponta, seu ensino de qualidade superior e a relevante inserção social de suas ações de extensão, à custa do esforço de décadas de sua comunidade. Esse patrimônio deve ser preservado e servir, neste momento, para contribuir com o processo nos seus aspectos acadêmico e pedagógico; ele não pode ser solapado pela pressa e uma eventual “impulsividade administrativa.
Em suma, o ANDES/UFRGS reitera sua plena disposição em contribuir ativamente neste processo, com o objetivo primordial de assegurar condições dignas e plenas de trabalho para docentes e técnicos, e de estudo para os discentes. A instalação da UFRGS na Serra não pode limitar-se a um mero papel estratégico regional; ela deve, prioritariamente, atender às reais necessidades da comunidade local. Isso implica em valorizar os profissionais, garantindo-lhes infraestrutura e suporte adequados, e em prover aos estudantes, condições de permanência estudantil efetivas, um desafio já presente e conhecido na estrutura multicampi da UFRGS.