O mandato desta diretoria da seção sindical do ANDES-SN na UFRGS se encerra na próxima semana, mas a luta dos docentes continuará conduzida por uma nova diretoria que tomará o relevo na organização da categoria localmente.
A organização das e dos trabalhadores é a única possibilidade que têm de uma vida digna no sistema capitalista que os oprime, mesmo aqueles que labutam na administração pública, como é o nosso caso.
É para isso que os sindicatos de luta existem e batalham todos os dias do ano. Na categoria dos docentes das instituições públicas de ensino, essa é a tarefa do ANDES-SN que é levada a cabo pelas suas seções sindicais nas Universidades, Institutos Federais e Cefets.
Infelizmente existem entidades que não mobilizam a categoria para a luta pelos seus direitos e pelo poder de incidir no rumo das políticas de educação pública; elas agem para apaziguar os conflitos, representando perante as e os docentes os interesses de reitorias, governos e partidos. A luta contra aqueles que traem a categoria mobilizou a diretoria cujo mandato se encerra e continuará sendo uma frente de ação sindical pela nova diretoria, que carrega a defesa do ANDES-SN e a luta pela educação pública no nome que deu à chapa que levou as(os) docentes da UFRGS às urnas nos dias 6 e 7 de outubro.
Nossas lutas de 2023 a 2025
Ainda no início do mandato, nos engajamos ativamente na luta contra os ecos do bolsonarismo na UFRGS, isto é, nos interventores que ocuparam a Reitoria. Mobilizamos esforços para fazer pressão para que o parecer de destituição fosse aprovado, o que aconteceu. Participamos de audiência no MEC, com a Assufrgs, o DCE, a direção do ANDES-SN e a deputada federal Fernanda Melchionna, na qual levamos o parecer consubstanciado do Conselho Universitário pressionando o MEC para que fizesse valer a vontade da comunidade da UFRGS. Infelizmente, os interventores terminaram seu mandato.
Trabalhamos para organizar as e os docentes no apoio simbólico à greve da educação pública em 2024, enquanto sobrevivíamos a uma enchente devastadora em Porto Alegre e nos dividíamos em ações de solidariedade à população que perdeu tudo. A tragédia vivida no RS não era motivo para não nos solidarizarmos com os colegas em greve em quase todas as IFES. As conquistas da categoria poderiam ter sido maiores se não houvesse sempre a entidade fantoche operando para desmobilizar.
Lutamos ao lado dos e das colegas pela eleição paritária na UFRGS, participamos ativamente da comissão de consulta informal e, quando houve ameaça à vontade da comunidade universitária, fomos para a frente da reitoria cercada de grades para exigir que o CONSUN respeitasse o resultado das urnas. Contribuímos para essa vitória e dela nos orgulhamos.
Mas as lutas que lutamos não começaram hoje, vêm de longe, da coragem de muitos antes de nós, e por isso, logo que o aeroporto de Porto Alegre pôde voltar a receber voos depois da catástrofe ambiental que vivemos, organizamos o Seminário Nacional “60 anos do Golpe de 1964 – Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. A memória dos lutadores do passado e o encontro com tantas(os) militantes do Brasil e de outros países da América Latina que lutam pelas consignas que o Seminário carregou nos trouxe ensinamentos e coragem que nos conduziu a apoiar a criação da Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós.
As bandeiras que eles carregaram no passado nós as empunhamos hoje, seja na luta antirracista que nossa campanha nacional “Sou docente antirracista” leva a todos os espaços da universidade, ou numa das últimas ações de nosso mandato, apoiando com urnas itinerantes o Plebiscito Popular pelo fim da escala 6 por 1 e a taxação dos mais ricos, participando da articulação em defesa do povo palestino, do combate à megamineração no RS, na luta pela defesa da soberania nacional, contra os cortes e bloqueios orçamentários para a UFRGS, e na luta contra os ataques ao serviço público e à classe trabalhadora promovidos pela Reforma Administrativa em tramitação no Congresso. Esses são apenas exemplos que retratam 2 anos de participação constante em todas as lutas da nossa categoria, inclusive em solidariedade com outros trabalhadores e povos oprimidos.
Lutas futuras
Muitas batalhas, há ainda para enfrentar nos próximos tempos e para isso desejamos toda a coragem à nova diretoria. A luta pelo cumprimento das conquistas da greve de 2024 é uma delas e a organização contra a reforma administrativa que aponta para uma destruição significativa do serviço público como o conhecemos, é outra.
Estaremos, na base da seção, apoiando a liderança organizativa da nova diretoria para fortalecer a iniciativa política da nossa categoria.
Vida longa ao ANDES-SN na UFRGS!